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Uso da tribuna: humanização e acessibilidade na urgência pediátrica
Assessoria de Imprensa - CMM 16/06/2026

A diretora do Pronto Atendimento da Criança (PAC), enfermeira Karine Hanako Kashiwakura Brum, apresentou na sessão ordinária desta terça-feira (16) o projeto “Comunicação Aumentativa e Alternativa na Urgência Pediátrica: Humanização e Acessibilidade no Transtorno do Espectro Autista (TEA)”.


O convite para sua participação na sessão foi feito pelo vereador Luiz Neto, que destacou a importância da iniciativa para os pacientes neurodivergentes. Entre as ações implantadas está o uso de pulseiras identificadoras, adotado em 2024 no PAC Zona Norte e na ala pediátrica da UPA Zona Sul. Neste ano, Karine foi premiada na 4ª Mostra de Experiências do SUS da Região de Maringá pelo trabalho desenvolvido.


A diretora do PAC lembrou que também é mãe atípica e ressaltou a importância da comunicação no cuidado às crianças neurodivergentes, bem como os desafios enfrentados pelos serviços de urgência.


“Atualmente, sabemos que uma a cada 31 crianças tem algum TEA, e isso representa um desafio para a urgência pediátrica na oferta de um cuidado verdadeiramente humanizado. O aumento da prevalência impõe desafios à rede de atendimento à saúde. Nesses ambientes, as crianças são submetidas a intensa estimulação sensorial e situações imprevisíveis, o que pode desencadear ansiedade, desregulação sensorial e crises”, explicou.


A gestora enfatizou que as dificuldades de interação entre a criança e a equipe de saúde podem comprometer a qualidade do atendimento. “Ela chega ao pronto-socorro em um ambiente totalmente diferente da sua rotina. Isso, por si só, já é suficiente para gerar desconforto e dificultar o atendimento adequado”, afirmou.


Esses fatores levaram à criação de um protocolo baseado na comunicação alternativa, que promove previsibilidade, amplia as possibilidades de comunicação e reduz o estresse da criança. A iniciativa está alinhada aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente aqueles relacionados à humanização e ao cuidado centrado no usuário.


Karine destacou que na primeira infância a criança é altamente visual e que a imprevisibilidade tende a ampliar suas angústias. Por isso, o projeto utiliza imagens e sinalizações em cada setor da unidade, antecipando as etapas do atendimento. “Ofertamos previsibilidade por meio de placas simples e objetivas, reduzindo o estresse e a sobrecarga sensorial durante o atendimento”, explicou.


A diretora ressaltou ainda a facilidade de implementação da proposta, que possui baixo custo e pode ser aplicada não apenas em hospitais e unidades de saúde, mas também em escolas, creches e até mesmo no ambiente domiciliar.

“As próprias equipes de saúde relataram maior segurança e resolutividade nos procedimentos, além do fortalecimento do vínculo com usuários e familiares.


Os resultados evidenciaram que a incorporação de recursos de baixa tecnologia, associada à reorganização dos processos de trabalho, contribuiu significativamente para a humanização da assistência prestada”, concluiu.


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